“A pessoa vale, sobretudo, pela educação que possui, porque só ela é capaz de desenvolver harmonicamente as suas faculdades, de maneira a elevarem-se-lhe ao máximo em proveito dele e dos outros.”
No espaço inter-relacional do encontro humano, o chão da vida, sempre nos cativa a oportunidade de reunirmos com o conhecimento inteligível e abundante. Estar com alguém que usa do saber, dialogar com o bom senso e aprender com quem sabe é oportunidade relativamente rara que de modo algum desejamos desperdiçar. Contudo, este gozo cognitivo-social só alcança o nível das marcas existenciais (atemporais) quando reconhecemos, naquele com quem nos encontramos, uma apurada consonância entre a reflexão e a inflexão, o dito e o vivido, o verbo e o self. O conhecimento (saber) nas entranhas da identidade é, indiscutivelmente, a variável preditora de uma disposição sapiencial que nos encanta e que é capaz de produzir marcas de “ser”.
Só através da Educação poderemos usufruir da totalidade da nossa condição humana; só pela Educação podemos alcançar a segurança e a estabilidade que afastam a angústia existencial e conferem um sentido orientador à pessoa. Por isso, a Educação deve urgentemente regressar ao esforço ético de uma cultura e de uma comunidade orientada para a construção da humanidade integral na pessoa, para que esta pessoa - criança, adulto ou idoso - possa, vivendo na verdade, ser plenamente aquilo que é, se sinta convocado a ser pessoa, pela sua própria natureza de ser vivente e se sinta interpelado pela auto-transcendência e convocado para a atitude de compromisso existencial.
Assim, urge a reorientação do saber (conhecimento) para a Educação, na medida em que ela se propõe como atitude e como actividade, como conhecimento e como procura do sentido ético-existencial mais elevado. Necessitamos de integrar uma pedagogia dos valores e do compromisso axiológico que se espraie posteriormente em todos os espaços de actividade humana, como possibilidade aberta à análise e ao sentido critico, à construção e reconstrução racional, com a empatia ajustada ao modo de pensar a vida a partir de dentro da própria vida. Precisam-se políticas educativas, práticas pedagógicas, disposições sociais, que respeitem e valorizem a dimensão da relação com a transcendência, para que se eleve o espírito humano até à imaterialidade. A excelência da nossa humanidade há-de passar pela educação harmoniosa e pelo equilíbrio da relação entre o raciocínio, a auto-regulação emocional e o espiritual. Excluir uma destas partes significa amputar existencialmente a essência da natureza humana.
A propósito, a introdução da natureza e da pedagogia sapiencial no sistema educativo, tal como propõe Robert Sterneberg, num excelente exercício projectivo daquilo que poderá ser a orientação educativa nos Estados Unidos ao longo das próximas décadas, teremos de contar com inúmeras dificuldades, entre as quais facilmente identificamos: estruturas educacionais fortificadas e monolíticas que são muito difíceis de alterar; a pobreza do reportório existencial da classe docente e o facto de muitos educadores não encontrarem grande valor em ensinar algo que não oferece a possibilidade imediata de ser quantificável através dos testes convencionais; a indisponibilidade e a desmotivação dos aprendizes que encontram em tantas outras formas a dispensa de compromisso que a Educação exige, ou aquelas pessoas que ganharam influência e dominam a sociedade através do dinheiro ou do estatuto social e não revelam grande interesse na educação que liberta a humanidade.
Para que o saber concorra verdadeiramente para a edificação da pessoa, teremos de investir na criação das condições educativas que o integrem harmoniosamente na estrutura existencial... e, assim, a Educação permanecerá.

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